Mulher Maravilha
Mulher Maravilha

Empoderar é um ato diário!

Muito falado hoje em dia, o termo empoderamento feminino vem ganhando muita visibilidade nos últimos anos. E o que ele tem de tão importante? A força de conceder o poder de participação social às mulheres, garantindo que essas tenham plena ciência sobre a luta pelos seus direitos, ou seja, um novo posicionamento da mulher em todos os campos – social, político e econômico. Empoderar é um ato diário! Mas será que ele é o bastante? O que ainda falta para a mulher de hoje e mais, como podemos encontrar nossa verdadeira força feminina…

E para falar um pouco mais sobre o assunto e sua relevância, entrevistamos a curitibana Ana Emília Cardoso, escritora e autora de três livros, entre eles o best seller A Mamãe é Rock. Ana é fundadora e coordena o projeto cultural Bonne Chance, trabalha na start up Canal Bloom, um projeto socioeducacional a ser lançado em breve, escreve para revista Pais&Filhos e está sempre inventando mais moda nos minutos livre.

1-    Em que pé está o feminismo hoje?

Está num ponto em que tanto se fala de feminismo, que já podemos – veja bem – falar de feminismo sem sermos taxadas de loucas, solteironas, mal amadas e por aí vai. Vivemos uma época de conscientização coletiva. Tem tanta mulher, como eu, alertando as outras sobre violências, sejam elas grandes, como estupros coletivos, ou micro, como aquele colega que rouba suas ideias e leva o mérito (bropriating), que a maioria das mulheres não está mais ficando quieta quando sente algo errado no ar.

2-    Como a gente pode discutir o empoderamento feminino?

Não gosto muito de falar em empoderamento feminino porque ele me parece um termo vazio. Quando uma mulher abre a sua “própria empresa” com o dinheiro do marido, dá para dizer que ela está empoderada, virou uma empresária e tal. Mas, será mesmo? Prefiro pensar que o fortalecimento das mulheres se dá quando elas entendem que, ao falarem mal de outras, estão falando mal de si próprias. Ser forte é ser livre, é não se importar muito com a opinião dos outros, é seguir seus desejos, sua intuição e entender e respeitar seus sentimentos.

3-    Qual a importância dessa discussão, inclusive na internet?

Quando mais falarmos, mais mulheres vão se sentir acolhidas nesse discurso. Comigo, é muito comum, amigas que se diziam machistas ou que falavam que feminismo era uma bobagem, um dia se darem conta que “ops, bem que a Ana falou…” e me escreverem. Sempre tem um lampejo. Um dia é como se alguém tirasse uma película que estava obstruindo a visão e você passasse a ver o mundo de outra forma. E aviso, é irreversível. A internet é a nossa praça pública, a nossa praia, o nosso clube, a mesa de bar, onde as pessoas se encontram. Então, é inevitável que a discussão floresça na rede.

4-    Como e quando em sua trajetória você se deparou com esse tema?

Eu cresci num meio que eu pensava ser bem igualitário. Eu também já achei que o feminismo era uma bobagem. Mesmo quando fazia Mestrado em Sociologia (na UFSC). Eu tinha amigas que estudavam gênero e pensava: ah, que tema chato, que perda de tempo isso. Só faltava mandar lavarem uma louça, como fazem os machistas da internet. Até que um dia ~plim~ mudei a chavinha. Foi assim: eu estava escrevendo sobre um movimento que se dizia igualitário e emancipatório. Durante a pesquisa de campo me dei conta que só os homens falavam e lideravam.

As mulheres sequer olhavam as pessoas nos olhos. Pareciam bichinhos acuados. Aí eu comecei a entender que havia diferença de gênero sim. A partir daí isso foi em 2003, venho ampliando o olhar. Felizmente cada dia tem mais gente fazendo coro comigo.

5-    Quais atitudes você emprega hoje no seu dia-a-dia que contribuem para o aumento do poder feminino?

Participo de grupos na internet e fora dela, escrevo sobre o tema em meus livros, em jornais e sites… escrevo para quem me pede. Leio as mensagens que me mandam, respondo, procuro ajudar. Tento sempre ajudar mulheres profissionalmente. Sou a chata do whatsapp, aquela que fala: não acredito que você está espalhando esse vídeo da guria sem calcinha na balada? E se fosse tu? A tua amiga, a tua irmã, a tua filha? Gostaria que espalhassem? Passo o dia fazendo esses questionamentos inconvenientes, porém necessários.

6-    Como é a mulher hoje? O que mudou na forma de lidar com maternidade, trabalho e casa?

Às vezes assisto à série Mad Men e penso que o que realmente mudou hoje é que as pessoas não fumam em lugares fechados porquê de resto, mudou muito pouco. Tanto na maternidade, quanto no trabalho e em casa, nós mulheres estamos sempre sobrecarregadas. Temos mais obrigações e menos reconhecimento. Uma mulher grávida, por exemplo, tem que trabalhar melhor que três homens para que ninguém reproduza clichês que diminuam como “ah, tá grávida, não tá pensando direito” ou “sabe como é, grávida, só pensa no enxoval”, esse tipo de coisa.

Viu como falta muito ainda?

Veja Também: